Mas, e esse deus que não vem? - questiona.
O quê? - Ela ouve alguém falar de amor. Mas o amor é tão complicado. E o que poderia mudar, se na vida parece que tudo é tão demarcado.
Perdeu-se. Foi longe demais.
Tinha beleza? Tinha juventude. Não tem mais. Tinha certezas? Tinha. Mas agora não tem mais. Tinha medos? Sim. E ainda os tem.
Ela sofre. Amiga-se da dor. Mas se nega a costumar-se.
Não! Não! Isso não está certo! - diz de novo.
Mas quem disse que ia dar certo? Se se apegar ao errado não vai dar certo mesmo! É o óbvio!
- Ao inferno com as obviedades... - Resmunga.
Ela achava que por linhas retas ia. Não foi.
Mas Ela é dura. Só por fora. Ela sofre, mas não deixa corromper sua tez, afogando-se no seu âmago.
E o futuro? Que será? - indaga-se. Mas o futuro se cala.
Por enquanto, só, Ela ficou ali parada. Se pudesse voltar. Se pudesse gritar. Se pudesse gemer. Se pudesse mudar. Se pudesse sumir. Não podia.
Ah! E esse deus que não vem? - anseia novamente.
Cansada de tudo, Ela mitiga sua sofrência com esperanças religiosas. Culpa o diabo, aquele estraga prazeres, ouve músicas que falam de vitórias, se apega a chavões e clichês positivistas do facebook. Também sublima as dores do espírito, infligindo disciplina ao seu próprio corpo fraco e preguiçoso.
Só então, deus dá o ar da sua graça, naquele momento de pura nostalgia.
Um Ele chega, de repente, um outro, sem grandes aparências, um desconhecido, também estrangeiro de seu próprio mundo, também um perdido à procura de não se sabe o quê, e lhe pergunta sem nenhum pudor:
- Você quer dançar?...

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